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José Mentor: 42 anos de vida pública pelo Brasil e por São Paulo

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Brasília (25 de Junho) – Ao completar 42 anos de vida pública, o deputado José Mentor (PT-SP) relembra os principais fatos que marcaram sua trajetória. Desde as discussões políticas, ainda em casa, com a mãe, dona de casa, e o pai, delegado de polícia, passando pelos anos de combate à ditadura no Centro Acadêmico “22 de Agosto”, pela atuação nos movimentos sociais por moradia e condições dignas de vida em São Paulo, chegando à atividade político-partidária, como deputado estadual, vereador e deputado federal. Nesta entrevista, Mentor fala do início da carreira política, destaca o papel do governo Lula na retomada de investimentos sociais e critica a oposição, que, segundo ele, está “desnorteada”.

Você sempre gostou de política?

Na minha casa, ninguém “gostava” de política, apesar – e talvez até por isso – de ter tido um tio – Audy Mentor – que teve atuação política intensa – preso e torturado – combatendo o Estado Novo. Mas acho que o exemplo pelo interesse social veio de casa: minha mãe, dona de casa, ponderada, sempre equilibrada, habilidosa; meu pai era funcionário público – delegado de polícia – duro, mas humano, responsável e prestativo. Não deixava de atender ninguém, mesmo que o caso não fosse de polícia. Tinha sempre um conselho, uma orientação ou um encaminhamento.

Mas em casa…

Diziam que não gostavam de política e discutiam, às vezes de forma acalorada, com os amigos e parentes o getulismo, adhemarismo, janismo, JK, governo esse, governo aquele etc. Minha irmã Angélica também participou da JEC e depois JUC, embora sempre muito reservada e recatada, foi exemplo para nós, com sua preocupação social e cristã ativa. Fomos todos criados com o olhar para os problemas da sociedade, contra as injustiças, pelo bem estar das pessoas.

Então é também uma questão de família?

Sim. A Angélica, minha irmã, é Desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, após 35 anos de advocacia criminal; Antonio Mentor, o Totonho, também atuou no movimento estudantil em Rio Claro, depois em São Paulo, e é Deputado Estadual de terceiro mandato; Assis, o caçula, embora da iniciativa privada, nos acompanha em tudo e, na sociedade civil onde milita, também tem função pública.

E quanto a você?

Pessoalmente, comecei como estudante secundarista, quando fui presidente de grêmio estudantil, onde as preocupações eram com as disputas esportivas, um pouco de cultura, reivindicações específicas. Depois, na universidade, quando da reorganização do Centro Acadêmico “22 de Agosto” , o DCE livre da PUC, a UEE-SP e a UNE, colocados na ilegalidade pela ditadura. Buscávamos mais vagas para os excedentes dos vestibulares, combatíamos o preço alto do ensino universitário, lutávamos por melhores condições de ensino, mas ainda contra os preconceitos, por liberdade, pela redemocratização do país, contra a ditadura.

Como você foi parar na assessoria das comunidades da periferia de São Paulo?

Com a extinção dos partidos acadêmicos (Pira, Poda e Piu), nós participamos de um grupo de estudantes na faculdade que, no início, chamou-se “In-formação”, que editava um jornal mensal. Depois passou a ser denominado “Grupo Opinião” e, mesmo após formados advogados, alguns de nós, continuamos a nos reunir para discutir política, o tipo de universidade que tínhamos e qual era o retorno que a universidade oferecia para a sociedade. Foi neste quadro que prosperou a proposta de, através do Departamento Jurídico “22 de agosto”, atuarmos na periferia da cidade, colocando o conhecimento adquirido na PUC a serviço da população, da coletividade e das comunidades.

E os movimentos sociais?

Inicialmente, os casos eram individuais, de todos os tipos: separação, despejo, inventário. Dos casos individuais, surgiram os coletivos. Por exemplo: de um inventário, com um imóvel com contrato não registrado, surgiu o primeiro loteamento clandestino na região sudeste e, junto com outros de outras regiões, formou o Movimento de Moradores em Loteamentos Clandestinos de São Paulo. Em 1978, esse movimento juntou 36 loteamentos, 3.500 pessoas para pressionar a Prefeitura de São Paulo e obter, pela primeira vez em décadas, uma legislação específica que, primeiro, reconheceu a existência dos loteamentos clandestinos e irregulares na cidade e serviu para iniciar a regularização fundiária das áreas. Esse foi o mais importante movimento que contou com a assessoria do Jurídico “22 de agosto” e mobilizou todos os grupos, advogados e estagiários

Houve outros movimentos?

Sim, como o Movimento de Moradia, com milhares de pessoas, de todos os pontos da cidade, pressionando a prefeitura, propondo políticas e projetos sociais para a moradia popular, os debates sobre o projeto Cingapura. Um dos mais importantes e que hoje é uma cidade que vive com suas próprias pernas é o Heliópolis.

Heliópolis é um dos mais famosos, ainda hoje, não é?

Sim, com muita mobilização – assembléias com milhares de moradores, fechamento das vias públicas para chamar a atenção das autoridades –, firmeza e habilidade, o movimento obteve várias vitórias. Novamente, o coletivo priorizado em relação ao individual.

E tudo isso foi realizado voluntariamente?

No início dos trabalhos – advogados e estagiários – tudo foi voluntário. Tínhamos duas salas e um ramal de telefone que foi contribuição da PUC, rodízio na secretaria, pelos(as) estagiários(as). Anos após recebemos ajuda da Holanda e depois fizemos convênio com a Fundação Ford, o que propiciou ajuda de custo para que alguns advogados e estagiários trabalhassem durante a semana, dando suporte para os grupos da periferia.

E como se deu a participação na política partidária?

Primeiro que todo esse trabalho não vinculava qualquer opção política das pessoas. Nem opção religiosa, nem qualquer outra. Mas é evidente que mais dia menos dia, com as eleições, a questão do poder se colocou. Já em 1978, fui incumbido pelos meus parceiros do Grupo Opinião de filiar-me ao MDB e disputar a eleição, na qual obtive votação significativa. Posteriormente, nos inclinamos para participar de uma opção mais avançada. Engajamo-nos, desde o início, no movimento pró-PT. E participamos da fundação do partido, oficialmente, em 1980, cada um de nós no seu bairro, na sua cidade.

O que você destaca da sua atuação parlamentar?

Como deputado estadual, participar da Constituinte paulista foi algo extraordinário. Lutar e participar da criação da Defensoria Pública, por exemplo, também foi muito importante. Foi um bom mandato, fui líder da bancada, mas fiquei muito dentro da Assembléia. Como vereador, foram muitas experiências: anistia das construções em loteamentos clandestinos, desenvolvimento de propostas para regularização fundiária, depois legalização dos lotes, acompanhamento de movimentos sociais. Projetos interessantes. Mas uma das maiores e mais gratificantes experiências que tive foi com o governo da prefeita Marta Suplicy. Foram feitas mudanças significativas e, como líder da Marta, coordenei, na Câmara, a aprovação de projetos que permitiram os CEUS, Bilhete Único, corredores de transporte coletivo e muita coisa boa para os trabalhadores

E com o governo do presidente Lula?

Evidentemente, é muito gratificante. Mas as dificuldades não foram pequenas. E outras poderão surgir, porque querem nos derrotar de qualquer maneira. Claro que os adversários não param. É, e continuará a ser, uma verdadeira guerra. Mas é uma experiência auspiciosa fazer parte da sustentação do governo exitoso do presidente Lula. Ver o Brasil ser conduzido com firmeza – exportações crescentes, inflação sob controle e distribuição de renda, criação de empregos, inclusão social e superação da maior crise internacional econômica. E tudo em plena democracia.

E uma crise que foi enfrentada de forma diferente nesta gestão…

Nas crises do governo tucano, eles cortaram despesas, aumentaram os juros pagos para o capital estrangeiro e pediram empréstimo para o FMI. Quebraram o Brasil. Com o PT, aumentamos, com responsabilidade, os gastos para ativar a economia; reduzimos impostos e juros e os capitais continuaram “bombando”, confiantes no desenvolvimento do Brasil; e ainda emprestamos dinheiro nosso para o FMI. Fomos o último país a entrar na crise, o primeiro a sair e estamos mais fortes do que quando a crise começou. Resgatamos o papel do Estado como planejador e indutor do desenvolvimento. É por isso que o presidente Lula bate todos os recordes de popularidade e aprovação. Um governo que não tem comparação nos últimos 30 anos.

E a oposição?

A oposição está desnorteada. Não tem do que falar. E foi por isso que disse, outro dia: a oposição não tem passado para comparar com o governo atual; não tem presente para enfrentar a popularidade do presidente Lula; e, com o Pré-sal, também não tem futuro. Mas todos nós sabemos que ainda há muito por fazer. E estamos dispostos a fazê-lo. Para melhorar ainda mais a vida do povo brasileiro. Por São Paulo, pelo Brasil.

categoria(s): José Mentor, Política

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1 comentário para "José Mentor: 42 anos de vida pública pelo Brasil e por São Paulo"

Wilson Rodrigues de Barros | 25 de julho de 2010 às 20:20

Sei que sua luta foi grande, esta sendo, e trabalha muito pelo Social,mas gostaria que você ampliasse o seu leque no Social, pegando o gancho do Pac, olhando mais para o saneamento Básico já que teremos verbas disponivel do Gov. Federal. Isso poderá alvancar mais sua repercussão diante dos municipios, e obviamente mais votos nas eleições.
Abraços…

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